PJ investiga isenção fiscal a filhos de Vieira depois dos bilhetes pedidos por Centeno

“Sem o teu empurrão não íamos lá”, escreveu o filho de Vieira num email enviado em Março, após a isenção fiscal. Os emails já tinham sido revelados pela revista Sábado em Setembro, mas na altura desconhecia-se ainda o pedido de bilhetes feito por Centeno na mesma altura.

Pelo teor dos emails do filho do presidente do Benfica, foi o “empurrão” de Luís Filipe Vieira que garantiu a isenção fiscal do prédio da família RUI

Uma semana depois de o ministro das Finanças, Mário Centeno, ter pedido bilhetes para ver o clássico entre o Benfica e o FC Porto, a 1 de Abril, o presidente do clube dos encarnados, Luís Filipe Vieira recebeu um email de um dos filhos a agradecer-lhe o “empurrão” que fez com que fosse reconhecida a isenção de pagamento de IMI a um prédio da família, noticia o Correio da Manhã (CM) nesta segunda-feira. Segundo o mesmo jornal, a Polícia Judiciária está a investigar o caso para tentar perceber que “empurrão” foi este e se tudo se trata, ou não, de uma coincidência.

“Pai, já cá canta!!! Sem o teu empurrão não íamos lá”, escreveu o empresário Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica, num email enviado ao seu pai a 24 de Março do ano passado. Alguns dias antes, escreve o Correio da Manhã, o filho Tiago tinha-se queixado a Luís Filipe Vieira sobre o desenrolar do processo para a isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) relativo a um prédio na rua do Sol a Santa Catarina, em Lisboa, pertencente à empresa de compra e venda de imobiliário Realitatis, presidida pela filha de Luís Filipe Vieira, Sara Vieira. O objectivo da família era vender o imóvel, o que não estava a ser possível por estar pendente há cinco meses a questão do imposto. Segundo o CM, as isenções fiscais para reabilitação urbana são executadas pelo Ministério das Finanças.

Este email de Tiago Vieira, que dá a entender que a influência do líder do Benfica pode ter resultado no perdão fiscal, já tinha sido antes divulgado pela revista Sábado no final de Setembro. Na altura, desconhecia-se que, uma semana antes da isenção fiscal do prédio, o ministro das Finanças tinha pedido dois bilhetes para assistir a um jogo no Estádio da Luz.

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Os dois bilhetes – para Mário Centeno e para o seu filho – foram pedidos já depois de publicado o código de conduta do Governo (criado na sequência do chamado “Galpgate”, viagens pagas pela Galp a membros do executivo), que estabelece que os governantes não podem aceitar ofertas acima dos 150 euros.

O Ministério das Finanças confirmou o pedido dos bilhetes mas garantia que, dada a “notoriedade pública do ministro”, há uma série de “exigências à sua participação em eventos públicos como jogos de futebol no que concerne a garantir a sua segurança pessoal”, esclarecendo ainda que os acessos à tribuna presidencial não são comercializáveis, “pelo que não têm um preço de venda definido”. O pedido foi feito em Março por André Costa Monteiro, assessor diplomático de Centeno, ministro assumidamente benfiquista.

FONTR: PÚBLICO